Rui Montese, músico brasileiro, poeta e compositor, vem cada vez mais conquistando o público nas suas apresentações. Traz na sua bagagem todo um contexto cultural com shows e apresentações em muitos espaços de Belo Horizonte e outras cidades de Minas Gerais. O seu estilo MPB tem variações para o erudito e para a música de raiz, com visão aguçada para o que é real e sensível. Promete, agora que está podendo dedicar-se integralmente a sua arte, alavancar sua carreira. Atentem para a qualidade de suas composições. Rui corre contra o tempo devido a idade que alcançou, mas sem atropelos. Faz parte da sua bagagem também o que realizou como professor, engenheiro e analista de sistemas. Na arte é o resgate de muitos anos de trabalho e de criação. O hábito de estudar lhe dá uma grande perspectiva. Está encontrando o seu caminho montando seu próprio Estúdio com o objetivo de fazer suas próprias produções de áudio e de vídeo e assim buscar formas de divulgar seu trabalho. Consequentemente os shows acontecerão, do Brasil para o Mundo.
José Qualquer Filho de Fulano de Tal Vivia bem com a mulher Mas vivia mal
Estudou que não foi normal Passou Mas, não teve fôlego Para chegar ao final
Casado, pai de dois Zezinhos e uma Maria Esperava apanhar um pezinho um dia Sozinho, coitado Matava a fome com a carpintaria E não tinha tempo para a Engenharia
Queria ser Engenheiro de Estrada Para segui-la aonde fosse Para fugir de tudo ou nada
E José não dormia E José se perdia A ouvir a mulher, pobrezinha Que à vizinha dizia inocente: “Meu marido inteligente estuda e ainda dá conta da gente”
E voltou Zé Carpinteiro Sentava, crucificado Trabalhando o dia inteiro E bebia para esquecer Tantas cruzes por poucos cruzeiros
E assim morreu Zé da Cruz Numa vala da estrada Aparando a enxurrada
E as pessoas que ali passavam Não sabiam de nada
Que Zé da Cruz já foi gente também Que Zé da Cruz já cedeu muito bem Que Zé da Cruz já foi número que entrou no computador Que Zé da Cruz já foi nome e até foi chamado de doutor Zé da Cruz Não faz mal Que a vida vai ao além E lá vai viver muito bem Vai chegar salvo e são São José
Boa noite mestre. Fui passear no shopping. Gente bonita, seres de todos os tamanhos, masculino e feminino.
Sonia Tula
Ah! mestre, quero completar minha missão, nesse momento quero evoluir bastante. Sinto que amo e admiro o ser humano, no entanto algo novo me intriga. Como será ser uno? Ser inteiro? masculino e feminino? Não sei como é ser uno, mas confesso que achei esquisito os seres pela metade. Olha, percebi que tem uns quinze anos que me dei conta que estou no planeta Terra, e há uns quatro anos me dei conta que sou ser humano e tenho trinta e quatro. Gozado, tenho uma lembrança da terra cheia de árvores, e então o Brasil é minha paixão. Fico imaginando os europeus chegando aqui, o deslumbramento com os pássaros exóticos em abundância, vegetação, ar puro, beleza do povo e do lugar. Outro dia suando no ponto de ônibus, às doze horas, ufa! Pensei se bem perto tivesse uma bela cachoeira com “assessórios” (pedras maravilhosas e plantas) quem iria ficar impune? Depois que esgotarmos a complexidade, vamos querer a simplicidade? Tenho uma nostalgia dentro de mim que não sei bem se é cultural, genética ou cerebral. No fundo vem da alma como se minha alma fosse muito maior do que eu mesma. Por exemplo, não entendo porque substituir toda a vegetação por concreto. A vegetação e o concreto não se importam de viverem juntos. Acho também que não é só por causa do dinheiro, nem do poder, é algo mais… Tenho vontade de plantar árvores em lugares e mais lugares. O Rio, as montanhas e a cidade. Estrada de Petrópolis, te achei tão linda!
Sonia Tula 14/02/1998
Nair do Carmo
Minha mãe, do infinito astral, no dia da partida da minha irmã, me mandou uma mensagem: “Meu filho, aconteça o que acontecer não deixe de acreditar em Deus”.
Jorge do CarmoMeninice – Quintal Rua 15Meu filho, Stael e Lisandro ao fundo.TulissesDâmia e RusucoFernanda e Dâmia, Cris e Rô ao fundo.LisandraçoMeu irmão, compositor Lincoln Brasil, recuperando da fratura do Fêmur.Rusuco, Rô, Lincão. Aniversário da Dna. Stael – Casa da Bê – 2019
Esta menina que assim me oferece O seu amor me enlouquece Esta menina que tanto carece De outro amor me entristece
Pele dourada de sol Cabelos loiros, olhos azuis É mais linda do que aquela menina Que um dia nos meus sonhos supus
Porém, os meus anseios na vida Me levam a outros caminhos Creio, nunca sozinho Com tanta barreira, espinhos Que não convém levá-la também
Nem vou eu sorver do seu aroma Sem saber se o que me toma É amor de verdade Nem tão longe te buscar Para tão perto te deixar Aos logros desta cidade
Não traz a sua beleza A certeza de abraçar meu pensamento Feito em poesia Alegria ou desalento Que a seu favor reparo em tanto E do seu amor me afasto, em pranto
É, mulher para entender um poeta Tem que ser sensível como a flor Perceber a beleza da lua Ser só sua
Não querer amar por desespero Mas, naturalmente Não por desmazelo Um amor confidente Com muita convicção E muito apego
Há certos momentos em que a vida se faz mais presente e nós a sentimos com mais fervor. É o momento em que o poeta colhe uma inspiração, o jardineiro admira seu jardim, o filósofo se compara as estrelas e desliza suavemente seu pensamento para um riacho tímido que, humildemente, contorna as pedras. Como se se sentisse tão grande e tão distante dos homens ao apreciar coisas tão pequenas. É o amor que se faz notar no gotejar da água que escapa de um cano. Talvez por lembrar as batidas do coração ou simplesmente a ideia de movimento e quem sabe senão a sensação de liberdade. É o amor que se faz notar na manhã que poderá ter sido mais bela, porque o que a caracteriza é justo a sua presença, surgindo com um bocejar quentinho, anunciando:
“Estou aqui”.
Já sou filho desta manhã e sinto despertar em mim o poeta, o jardineiro, o filósofo… Embebido neste paroxismo afasto a imagem de filho e me atrevo em colocar-me a sua altura. E exclamo:
Manhã linda de sol Eu saí pra te ver Manhã linda de sol Quero casar com você
E ela me confessa, naquele cheirinho de terra molhada, enquanto eu ainda dormia, ter-se fechado em pranto. Eu a consolo:
Manhã linda de sol Se te vejo chover Manhã linda de sol Só me vejo sofrer
E me lembro daquela longa temporada de inverno quando me sentia prisioneiro, prisioneiro da chuva. Mas, não negava sua utilidade. E pensava: esta chuva, ainda que fria, quase intolerável, que cai como soldados cercando um Forte e arrasta na leve enxurrada a esperança de rever o sol, cessará por fim e ela mesma fará florescer uma linda primavera e mais linda no momento em que surge. E outros invernos virão e outras primaveras também, estou sempre pronto a recebê-los. Sonho com o futuro e amo o presente. Belo é caminhar numa estrada e fitar o horizonte, mais belo e confortante é notar que existem flores no caminho. Em meio a esta divagação outros versos nascem:
Manhã linda de sol Quem me vê com você Pensa que estou sozinho Pois não pode entender Que tenho seu carinho
Manhã linda de sol Nosso véu é o céu Nossa lua é de mel Nossa vida é ao léu
Acabo de fazer uma poesia e me delicio em repetir aqueles versos. Eis que, um vil pensamento numa frase me corta a garganta: -Neste mundo de números e máquinas:
“Somente os ociosos têm tempo para divagações”. (Lembro do Pequeno Príncipe de Saint-Exupéry)
Se esta poesia e outras não se converterem em dinheiro nada valerão. Mas, um pensamento mais incisivo me enaltece:
O verdadeiro valor de um poeta está na grandeza de sua imaginação e não no ouro que a reflete.
Mais uma vez Saint-Exupéry me vem à memória: “Na verdade quem luta apenas na esperança de bens materiais não colhe nada que valha a pena viver”.
O passado é o rastro de uma bagagem adquirida, se amanhã eu morrer não vai me faltar o peso das relações humanas e já terei adquirido muita coisa e muitos serão os que seguirão os meus passos e isto me traz a certeza: